segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Alvorada





Tão feia e deserta me pareces nesta noite cruelmente envenenada

A harmonia da tua singular magia já tão maculada pela separação…

Choro baixinho, nesta noite escura e gélida tão tristemente antecipada…

E murmuro uma prece que atrase o clarear baixinho desta tenebrosa escuridão



Como uma criança que de um sonho imenso não quer despertar…

Aguardo silenciosamente pelo clarear do alto da minha torre de cristal

A escutar a ferocidade do mar, que ao longe comigo se parece revoltar

E ao ritmo das marés também eu me abandono a esse anseio visceral…



Envolvo-me cuidadosamente no meu manto carmesim de pura saudade,

Angústia que já me come os ossos como um fado de uma mulher amargurada…

O céu ainda se cobre de negro, mas ao longe espreguiça-se o Sol sem piedade



E eu, uma cigana enraizada, derramo pesadas lágrimas de despedida

Uma por cada tonalidade pintada no céu em largas pinceladas de vida

Enquanto murmuro “Adeus, minha terra tão amada”, ao nascer da alvorada…