quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Eclipse




O eclipse chega montado num raio que esgrima o céu vibrante 
Elas seguem-no com o olhar, as carpideiras de rostos taciturnos
O eclipse envolve-lhes o mundo num manto escuro num instante,
Abraçando com ferocidade o Sol com os seus tentáculos nocturnos

E elas olham, desamparadas, sem reter as lágrimas ainda no peito para derramar
Enquanto a escuridão se espalha, como uma sinuosa nuvem de pó negro
E tudo engole, num momento de terror, na senda de tudo apagar
Cada recanto. Cada rua. Cada casa. Cada memória. Cada alma.

As carpideiras ajoelham-se, gritando enlouquecidas um lamento visceral
Ai o Mundo! Todo o seu Mundo! Agora rendido, chamuscado, perdido…
O rio de lágrimas destas carpideiras condoídas abre caminho para o triste funeral …  

O caixão vai pesado de sonhos, de memórias, de risos e de esperanças
E elas, as carpideiras, que carregam com temor esse caixão de um Mundo traído
E lamentam-no, esse cadáver envolto em solidão, despido de todas as crenças…