quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Costa – O melhor cão do Mundo procura um dono/Fat (Lisboa, Portugal)



 

 
 No dia em que o Costa chegou a minha casa eu não sabia o quanto a minha vida ia mudar. Afinal, ia apenas ser família de acolhimento temporário de um cão, só tinha de cuidar dele durante umas semanas. Mas a verdade é que até ao fim do dia eu estava completamente apaixonada. O Costa é um velhote de pêlo preto e um focinho tão único que parece pintado, com um olhar tão tristonho e doce que foi impossível não me derreter. Parecia contar a história da sua vida no olhar, e carregava uma tristeza tão grande que era impossível não o querer acarinhar. Contou-me com o olhar que foi abandonado por quem o tinha tido como companheiro fiel durante muito tempo. Contou-me que a dor de ser abandonado lhe partiu o coração de tal modo que ele deixou de querer comer, de querer viver… E que se não tivesse sido salvo tinha morrido ali, à espera que esse dono de coração frio voltasse. Mas houve uma coisa que esse dono não conseguiu destroçar, a capacidade de amar. Via-se no olhar carente, no ganido a pedir atenção, no choro insuportável quando ficava sozinho, e no facto de se entregar totalmente.
Vivemos quatro meses de amor companheiro, de momentos perfeitos, de longos passeios a todas as horas do dia, de noites dormidas lado a lado, de manhãs em que fui acordada com a língua dele a pedir para ir à rua, de conversas quase humanas que tivemos (o ladrar dele é muito parecido à voz de alguém muito rouco), de hábitos a que me adaptei, de hábitos a que ele se adaptou (deixou de me acordar de madrugada para perceber que eu acordava bem mais tarde…) e de uma vida que fomos construindo, uma relação de amor que fomos tecendo. E no final da primeira semana eu já sabia que ia ser difícil deixá-lo ir, mas não soube afastar-me, não consegui resistir. Entreguei-me a ele e encontrei uma paz, uma companhia que há muito procurava.
Os meses passaram e os nossos dias eram passados juntos, com excepção dos momentos em que tinha de ir a algum lado onde proibissem a entrada de cães. E ele foi desabrochando e percebi que afinal não era um cão triste, muito pelo contrário, é um cão alegre e carinhoso, que só quer alguém para se dedicar.
Eu sabia que íamos ter de nos separar, tentei outros caminhos, procurei soluções mas a verdade é que tinha de sair de Portugal e as condições que encontrei na Inglaterra não me permitiram sequer sonhar em trazer o Costa comigo. Tenho lido muitas criticas de amigos dos animais sobre as pessoas que saem do País e deixam os cães para trás e algumas são muito injustas. Sim, não entendo nem aceito aqueles que abandonam os animais na rua, ou pior ainda, os deixam na casa vazia para morrer à fome. Esses são monstros! Mas aqueles que procuram um novo lar para os seus animais porque não os podem levar? Acreditem que para muitos a dor que sentem no peito é maior do que possam imaginar. Eu vim para a Inglaterra, onde as regras para entrada de animais são rígidas (embora tenham tido algumas mudanças no último ano) mas para além disso as casas para alugar muitíssimo raramente aceitam animais, e começar a vida noutro país implica frequentes mudanças. E quando vim para cá nem sabia o quanto o frio aqui é excruciante, mas também não acredito que o Costa tivesse sobrevivido se tivesse vindo comigo. Mas a verdade é que, por muito que o quisesse trazer, a saúde dele não me permitiu, e as condições de vida num novo país em busca de emprego, onde casas para alugar rejeitam até hamsters (acreditem, eu perguntei!), e apesar de me ter sentido (e ainda sentir) culpada por isso durante muito tempo, acho que certas criticas a quem tem de sair do País e deixar a família para trás deviam ser ponderadas. É fácil criticarmos quando não sabemos a extensão da dor que os que partem trazem no peito.
E eu sei que não foi ele quem sofreu mais. Na verdade ele ficou com as amigas que o salvaram e por isso ficou bem.
Mas o Costa precisa de uma casa, de alguém que o possa amar pelo menos parte do quanto eu o amei (com sorte ainda mais). Tem estado em hotel durante os últimos meses e continua bem de saúde, apesar de sofrer de leschminose (toma um comprimido por dia). A Pravi – núcleo de Lisboa, responsável por ele, está agora à procura de quem possa ser a família definitiva ou temporária do Costa e oferecem-se para ajudar com a medicação. Como sabemos a situação em Portugal não está fácil para as associações de apoio a animais, e pagar hotel é uma despesa demasiado grande para a maioria das associações. E o Costa merece na verdade uma família, um amigo, alguém que o deixe ser o companheiro fiel que ele tanto deseja ser.
Se tiver condições para acolher temporária ou definitivamente o Costa contacte a Pravi – Núcleo de Lisboa (Contacto: 919104576 - botasebigodes@gmail.com).
Se não o poder acolher por favor reencaminhe a informação o mais possível. 
Tenho a certeza que quando o conhecer vai-se apaixonar.