quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dar a cara pela abolição (das touradas)



As touradas são talvez dos temas mais polémicos no âmbito dos direitos dos animais em Portugal. Como defensora acérrima dos animais humanos e não humanos, nunca tive qualquer dúvida sobre o absurdo que são as touradas e a crueldade que constituem.
Não vou discorrer sobre a questão do animal ser obrigado a ir para a arena onde um “humano” por livre e espontânea vontade se diverte a feri-lo e outros “humanos” pagam para ver o “espectáculo”, sentindo prazer com o sofrimento do animal. Não vou dissertar sobre isto simplesmente porque me parece óbvio demais e não há qualquer desculpa que me possa demover. Não quero saber se os touros são bem tratados durante o tempo de vida que têm porque isso não desculpa a morte estúpida que sofrem, nem o prazer psicopata que os toureiros e espectadores têm nisso. Nem quero saber da tal desculpa da cultura, porque a cultura de um país deve ser aquilo que os faz sentir orgulho de serem (neste caso) Portugueses, e eu não sei como me orgulhar de saber que em pleno século XXI a tortura contínua em países ditos civilizados, com aqueles que não se podem defender.
Seja como for, para aqueles que comigo concordam, e apoiam a abolição das touradas, proponho esta semana um simples mas eficaz modo de protesto.
Vamos todos participar na campanha “Eu Dou a cara pela abolição”.
Como funciona?
É simples: podem fazer o download do cartaz em http://bit.ly/RDDmbc e depois têm duas hipóteses, ou o imprimem e tiram uma foto com o cartaz na mão, ou colocam a imagem do cartaz em cima de uma das vossas fotos através do computador (a minha o que eu fiz foi com o powerpoint, utilizei uma imagem minha como fundo do slide, e depois inseri a imagem do cartaz, e gravei o ficheiro como JPEG).
Depois enviam a foto para o email: somos.antitourada@gmail.com e podem partilhar a campanha a partir de http://on.fb.me/PR28Iz (podem lá ir também ver quem já ‘deu a cara pela abolição’).
E aqui estou eu, a “dar a cara pela abolição” e pelos animais.



Os lobos ibéricos



Devo admitir que desde sempre achei os lobos criaturas extremamente interessantes, das quais sempre ouvi as famosas histórias que os pintam como monstros (o capuchinho vermelho, por exemplo) mas as quais nunca me conseguiram completamente convencer da ‘malignidade’ destes animais.
Felizmente não sou a única a pensar assim. Em 1987 foi criado o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI) cujo objectivo é permitir que os lobos que, por um motivo ou por outro, não podem viver em liberdade, vivessem num cativeiro adequado às suas necessidades.
Em paralelo a este fantástico trabalho, o Centro também promove a possibilidade de observação dos lobos e realização de estudos, particularmente na área das Ciências Sociais, que têm sido fundamentais para esclarecer o público sobre os lobos.
Recentemente este Centro tem realizado campanhas no sentido de adquirir o terreno onde se encontra instalado, na zona de Mafra, visto que a fundação suíça Bernd Thies, a quem o terreno pertence, e que tem permitido a sua utilização gratuita durante os últimos 25 anos, pediu 154 mil euros pelo terreno.
Lançou-se assim a campanha “Não deixe os lobos sem abrigo”, que permitiu angariar já cerca de 76 mil euros, mas durante os próximos cinco anos será necessário angariar o restante.
No website do Centro (http://lobo.fc.ul.pt/) pode encontrar-se várias formas de contribuir, entre elas ligar para o número 760450044 (Custo da Chamada: € 0,60 + IVA), ou fazer um donativo por transferência bancária, tornar-se sócio, apadrinhar um dos lobos ou visitar a reserva.
Por isso, ajude o Grupo Lobo e os lobos ibéricos protegidos na reserva. O Minho, o Sabor, o Lobito, a Aura... Todos lhe vão ficar gratos. 



Os ursos da Animals Asia



Há muitos anos, era eu ainda uma adolescente demasiado preocupada com os “dramas” que enchem de excitação a vida nesses anos dourados que tanto custam a viver, tanta angústia provocam, e que depois levam décadas a esquecer, soube da existência da Animals Asia e da triste realidade dos ursos que são mantidos em fazendas de recolha de bílis, vivendo vidas absolutamente horríveis, fechados em jaulas tão pequenas que os ossos se deformam e a pele se vai queimando com os excrementos e urina. Vivem décadas neste horror, uma vida de sofrimento atroz, apenas e somente porque se pensa que a bílis dos ursos tem utilidades “médicas”, das quais se destaca a potência sexual.
Hoje em dia, depois de tantos anos a ter próximo contacto com os horrores de que o ser “Humano” é capaz, já não me admiraria, mas essa adolescente de quinze anos que, numa tarde como outra qualquer, encontrou o website da Animals Asia, e leu sobre esses ursos enjaulados sem alívio em vista, ainda chorou. E continuou a chorar, lágrimas grossas, de impotência e raiva contra o ser humano, até que leu mais adiante algo como: “Não vale a pena apenas chorar, faça alguma coisa”.
Esse tornou-se o meu lema até hoje, e não há nada que possa fazer que não faça para ajudar a salvar esses ursos injustiçados, os touros forçados a “combater” sociopatas que se divertem com o sofrimento dos animais, os cães e gatos abandonados e maltratados, e tantos outros que sofrem das crueldades que, infelizmente, abundam por esse mundo fora.
Esta pequena (longa) introdução para vos falar da Animals Asia, que é uma organização que tem realmente um lugar importante no meu coração. Entre outras magníficas actividades desta organização, a Animals Asia criou santuários para ursos onde os animais salvos dessas “quintas de bílis” podem recuperar e encontrar a liberdade. São tratados das muitas mazelas e infecções com que chegam, é-lhes proporcionada fisioterapia para os ossos deformados, e são ensinados a brincar e a ser LIVRES. Encontram autênticas florestas de bambu onde podem passar o resto da vida a tentar esquecer o horror em que viveram, protegidos e seguros.
Mas no Parque Nacional Tam Dao, no Vietname, o santuário de 104 ursos está em risco. Por motivos políticos, financeiros e pressão de alguns órgãos do Governo corre-se o risco destes animais serem despejados deste terreno, e é preciso fazer-se todo o possível para o evitar.
Como?
Não custa nada, é só copiar e colar os emails sugeridos neste website, ou escrever por suas próprias palavras um email: http://www.animalsasia.org/share2friends.php?UID=OIWCUSCQOFP
É também importante que assinem a petição que se encontra no website: http://www.animalsasia.org/index.php?UID=N0BRR1F5I6F
Vamos salvar este magnífico trabalho de recuperação de ursos que viveram vidas aprisionados, usados e maltratados e que neste centro encontraram a liberdade!


sábado, 17 de novembro de 2012

Peregrina




Fitando a janela chora a cansada peregrina
Encosta desamparada a cabeça no mármore gelado
E murmura baixinho doridas preces, lamentando a sua sina
Sabendo que ainda não encontrou o caminho almejado

Vislumbra o amanhecer lá fora, e o céu a clarear de mansinho,
A noite que se despede preguiçosa com laivos de carmesim e dourado,
A Lua que boceja cansada e parece desaparecer no seu cantinho,
E o Sol que acorda resplandecente no seu lugar honrado

Suspira profundamente, a cigana, e fita cansada o seu bordão
Um último olhar para a neve lá fora, imaculada, ainda sem pegadas
Tão alta que parece envolver todo o mundo numa fofa nuvem de algodão

Campos brancos imensos que gritam a imensidão dessa terra já sem magia
E adiante, lá fora no ar gélido da madrugada, esperam por ela as incontáveis estradas
 Que percorre, sentindo a cada passo uma mais profunda nostalgia…


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Portugal dos mansos




Sempre ouvi dizer que os Portugueses são mansos e tal é essa a nossa reputação que nestes meses de inquietação e movimentos de protesto os ingleses parecem não ter problemas nenhuns em comprar casa no Algarve ou pelo menos ir passar as suas férias a costas lusas, sem qualquer receio de bombas, atentados, tiroteios ou qualquer outro evento catastrófico.
Ninguém espera que os Portugueses deixem de ser “mansos” e que de repente as manifestações de protesto contra as medidas da austeridade se tornem em chacinas como na Grécia, ou em momentos de agressão policial desmedida como em Espanha. E a verdade é que estão certos, ou pelo menos parcialmente certos. Nós, Portugueses de alma cheia de saudosismo e um quase prazer no sofrimento, não vamos chegar à agressividade desmedida da Grécia, nem os nossos polícias, também eles com ordenados insatisfatórios e protecção inadequada, nos vão dar com o cassetete até nos partirem o crânio. Pelo menos não neste caso, que a violência policial é também em Portugal uma realidade.
Mas pelo que tenho tido oportunidade de ver nos protestos dos últimos meses, parece-me que, pouco a pouco, a fome e a falta de alternativas, nos está a fazer revoltar mais e mais, e talvez dentro em breve sejamos um povo que esquece a mansidão em prol da luta pela sobrevivência.
Pelo menos é o que eu espero e sonho para este meu Portugal que também eu tive de deixar para ter uma vida melhor. O que espero e sonho para Portugal é que todos compreendam que a revolta é legítima, que querer dar de comer aos nossos filhos, ver os nossos jovens terem uma profissão que os satisfaça, ver os nossos animais protegidos convenientemente e ver os nossos idosos viver com dignidade; não é menos do que um direito, e por ele temos de lutar.
Não sonho um Portugal manchado de sangue e violência, porque esse não é o caminho que sabemos marchar, mas também não quero uma terra deserta de jovens e esperança, onde a Igualdade, a Fraternidade e a Liberdade são apenas conceitos tão estrangeiros que já nem vale a pena comemorar com um feriado bem merecido, a Implantação da nossa República.
Não sonho com um país que se verga aos desejos de todos e para isso perde a cultura e a identidade, muda a ortografia para satisfazer uns, corta nos subsídios para satisfazer outros, e esconde a solidão e tristeza do seu povo com fotografias de paisagens infindas de beleza inigualável, cortando nelas as casas gastas em ruínas onde as populações vivem, as estradas sem condições que percorrem, e a procura interminável por empregos para os jovens que não querem deixar nessas terras isoladas as famílias que ainda vivem, como há centenas de anos, do cultivo da terra.
O que eu sonho para Portugal é um caminho tortuoso de revolta e protesto, onde as vozes não se calem e não se cantem as músicas da liberdade, as do 25 de Abril, apenas por costume, e que se volte a sentir na alma a importância de cada letra, de cada acorde. Sonho com um país onde o futebol não seja a única razão para gritar de alegria ou tristeza, e onde todos saibam que o voto é um direito, mas mais do que isso, é um dever, e que é responsabilidade de todos quem nos governa. Sonho com um país que não se esconde no “Eles são todos iguais” para justificar a apatia política, e com Portugueses que sabem que é realmente “o povo quem mais ordena”. Acima de tudo, sonho com um povo que não se cale e ordene, um povo que lute com as armas que tem, mesmo que pensem que as palavras são armas poucochinhas, e não pare até que Portugal seja um paraíso à beira-mar plantado, onde as crianças podem rir com confiança no futuro e pais que têm como as alimentar e proteger; onde os jovens podem sonhar com um futuro feliz e uma profissão que os realize sem temerem ter de deixar para trás a família, os amigos e o seu país; onde os animais são tratados com dignidade e compaixão e protegidos como seres vivos que são; onde os idosos não são abandonados à sua sorte para morrerem sós; e onde a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade não só são realidades, como merecem um feriado para as comemorar.
Eu sonho, tu sonhas, ela sonha, ele sonha, nós sonhamos, eles sonham. E eu interrogo-me: “Se todos sonharmos, se todos lutarmos, se todos acreditarmos, se todos nos revoltarmos, se todos gritarmos até que a voz nos doa, até onde somos capazes de ir? “.